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Capítulo 01 - Daniel no Cativeiro

 

Versos 1, 2 - No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém, e a sitiou. O Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da casa de Deus; a estes levou-os para a terra de Sinear para a casa do seu deus, e os pôs na casa do tesouro do seu deus.

Com precisão característica dos escritores sacros, Daniel entra imediatamente no assunto.Inicia seu livro no estilo simples, histórico, exceto numa parte do capítulo 2, de natureza histórica, até chegarmos ao sétimo capítulo, quando começa a parte profética,  mais apropriadamente assim denominada. Como pessoa  cônscia de dizer  somente verdade bem conhecida, ele passa de imediato a expor uma variedade de informações pelas quais sua exatidão pudesse ser prontamente comprovada. Assim, nos dois versículos citados, ele apresenta cinco informações com o significado de fatos históricos, como nenhum escritor provavelmente introduziria em narrativa fictícia: (1) Que Jeoaquim era rei de Judá, (2) Que Nabucodonosor era rei de Babilônia; (3) Que este veio contra aquele; (4) Que isso foi no terceiro ano  do reinado de Jeoaquim; e (5) Que Jeoaquim foi entregue às mãos de Nabucodonosor, que tomou uma parte dos vasos sagrados da casa de Deus, e os levou para a terra de Sinear, o país Babiônia (Gênesis10:10) e os colocou na casa do tesouro de sua divindade pagã. Trechos seguintes da narrativa são também plenamente abundantes em fatos históricos de igual natureza.

Essa tomada de Jerusalém foi predita por Jeremias e imediatamente executada, em 606 a .C. (Jeremias 25:8-11.) Jeremias coloca este cativeiro no quarto ano de Jeoaquim; Daniel, no terceiro. Esta aparente discrepância é explicada pelo fato de que Nabucodonosor empreendeu sua expedição próximo ao fim do terceiro ano de Jeoaquim, ponto de partida do relato de Daniel. Mas Nabucodonosor só acabou de subjugar Jerusalém aproximadamente no mês nono do ano seguinte; e Jeremias narra a partir desse ano.(Prideaux, Vol.I,pp.99,100). Jeoaquim, embora aprisionado com o fim de ser levado para Babilônia, tendo-se humilhado, teve permissão de ficar governando em Jerusalém, tributário do rei de Babilônia. 

Foi essa a primeira vez que Jerusalém foi tomada por Nabucodonosor. Duas vezes seguidas a cidade, tendo-se revoltado, foi capturada pelo mesmo rei, sendo em cada vez tratada de modo mais severo. A primeira destas tomadas consecutivas foi no tempo de Joaquim, filho de Jeoaquim, em 599 a.C., quando todos os vasos sagrados foram levados, e a melhor parte do habitantes foi levada cativa com o rei. A Segunda foi sob Zedequias, quando a cidade sofreu seu mais terrível cerco, exeto o cerco por Tito, no ano 70 d.C. Durante os dois ano desse cerco, os habitantes da cidade sofreram todos os horrores de extrema fome. Finalmente, a guarnição e o rei, tentando escapar da cidade, foram capturados pelos caldeus. Os filhos do rei foram mortos em sua presença. Os olhos do rei foram arrancados, e ele foi levado  para Babilônia; assim se cumpriu a predição de Ezequiel, que ele seria levado a Babilônia e ali morreria, mesmo sem ver o lugar. Ezequiel 12:13. Nessa ocasião a cidade e o templo foram completamente destruídos, e toda a população da cidade e do campo, com exceção de alguns lavradores, foi levada cativa para Babilônia, em 538 a.C.

Tal foi o pronto testemunho de Deus contra o pecado. Não que os caldeus fossem os favoritos do Céu, mas Deus os utilizou para punir as iniqüidades de Seu povo. Se os israelitas tivessem sido fiéis a Deus e guardado Seu Sábado, Jerusalém haveria permanecido para sempre. Jeremias 17:24-27. Mas se afastaram dEle, e Ele os abandonou. Primeiro profanaram, pelo pecado, os vasos sagrados, introduzindo, em seu meio, pagânicos ídolos; depois os profanaram por suas decisões, permitindo que esses vasos sagrados fossem levados como troféus a templos pagãos no estrangeiro.

Durante esses dias de angústia e aflição sobre Jerusalém, Daniel e seus companheiros foram alimentados e instruídos no palácio do rei de Babilônia; e apesar de cativos em terra estranha, estavam sem dúvida, sob certos aspectos, em  melhor situação do que se tivessem ficado em seu país natal.

Versos 3-5 - Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, assim da linguagem real como dos nobres, jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda a  sabedoria, doutos em ciência e versados no conhecimento, e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei; e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. Determinou-lhes o rei a ração diária, das finas iguarias da mesa real, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, ao cabo dos quais assistiram diante do rei.

Temos nestes versículos o registro do provável cumprimento do anúncio de juízos vindouros feito pelo profeta Isaias ao rei Ezequias, mais de cem anos antes. Quando este rei vangloriosamente mostrou aos mensageiros do rei de Babilônia, todos os tesouros e coisas santas do seu palácio e do reino, foi-lhe dito que todas essas boas coisas seriam levadas como troféus para a cidade de Babilônia, e nada seria deixado; e que até seus próprios filhos, seus descendentes, seriam levados para lá e seriam eunucos no palácio do rei. 2 Reis 20:14-18. “Vendo nesses jovens a promessa de habilidade digna de nota, Nabucodonosor determinou que fossem educados para ocupar importantes posições em seu reino.” E. G. White, Profetas e Reis, p. 480. A palavra “jovens”, aplicada a esses cativos, não deve restringir-se ao sentido a que é limitada nos dias atuais, pelos que a ela atribuem o significado de meninos. Estava aí incluída a juventude. E pelo relato sabemos que esses jovens já deviam estar “instruidos em toda a  sabedoria, doutos em ciência, e versados no conhecimento, e que  fossem competentes para assistirem no palácio do rei.” Em outras palavras, já haviam adquirido um bom grau de educação, e suas faculdades físicas e mentais estavam tão desenvolvidas que um habilidoso leitor da natureza humana podia formar uma avaliação bastante exata da capacidade deles. Calcula-se que deviam ter dezoito a vinte anos de idade.

No trato que esses cativos hebreus receberam, vemos um exemplo da sábia política e da liberalidade do ascendente rei Nabucodonosor.

1.      Em vez de dar preferência a meios de satisfazer desejos inferiores e vis, como o fizeram muitos reis posteriores, ele  escolheu jovens que deveriam ser bem educados em todos os assuntos pertinentes ao reino, para que lhe pudessem prestar eficiente ajuda na administração de seus negócios.

2.      Designou-lhes provisão diária de sua própria comida e bebida. Em vez da alimentação grosseira que certas pessoas considerariam suficientemente boa para cativos, ofereceu-lhes suas próprias iguarias reais. 

Por três anos tiveram todas as vantagens que o reino proporcionava. Embora cativos, eles eram descendentes reais, e como tais foram tratados pelo humanitário rei dos caldeus.

Pode-se perguntar por que aqueles jovens foram selecionados, após adequado preparo, para tomar parte nos negócios do reino. Não havia babilônios natos suficientes para esses cargos de confiança e honra? O motivo não seria outro senão que os jovens caldeus não poderiam competir com os de Israel nas qualificações mentais e físicas necessárias a tais posições.

Versos 6-7 - Entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. O chefe dos eunucos lhes pôs nomes, a saber: a Daniel o de Beltessazar, a Hananias o de Sadraque, a Misael o de Mesaque, e a Azarias o de Abede-Nego.

Esta mudança de nomes se fez provavelmente por causa do significado das palavras. Em hebraico Daniel significava “Deus é meu juíz”; Hananias, “Dom do Senhor”; Misael, “que é o que Deus é”; e Azarias, “ajuda de Deus”. Estes nomes que se referiam ao verdadeiro Deus e significavam relação com o Seu culto, foram trocados por nomes cuja definição os vinculasse ás divindades pagãs e ao culto dos caldeus. Assim Beltessazar, o nome dado a Daniel, significa “guardador dos ocultos tesouros de Bel”; Sadraque, “inspiração do Sol” (que os caldeus adoravam); Mesaque, da deusa Shaca, sob cujo nome Vênus era adorada; e Abede-Nego, “servo do fogo brilhante” (também adorado pelos caldeus).

Versos 8-16 -Resolveu Daniel firmemente não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem  com o vinho que ele bebia; então pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se. Ora Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos. Disse o chefe dos eunucos a Daniel: Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou a vossa comida e a vossa bebida; porque, pois, veria ele os vossos rostos mais abatido do que o dos outros jovens da vossa idade?Assim poríeis em perigo a minha cabeça para com o rei. Então disse Daniel ao cozinheiro-chefe a quem o chefe dos eunucos havia encarregado cuidar de Daniel, Hananias, Misael e Azarias: Experimenta, peço-te os teus servos dez dias; e que se nos dêem legumes a comer e água a beber. Então se veja diante de ti a nossa aparência e a dos jovens que comem das finas iguarias do rei; e, segundo vires, age com os teus servos. Ele atendeu, e os experimentou dez dias. No fim dos dez dias, as suas aparências eram melhores; estavam eles mais robustos do que todos os jovens que comiam das finas iguarias do rei. Com isto o cozinheiro-chefe tirou deles as finas iguarias e o vinho que deviam beber, e lhes dava legumes.

Neste relato Nabucodonosor aparece admiravelmente isento de fanatismo. Não parece  Ter empregado nenhum meio de obrigar seus reais cativos a mudar de religião. Contanto que tivessem religião, ele parecia estar satisfeito, fosse esta a religião que ele professava ou outra. E embora seus nomes tivessem sofrido mudanças indicativas de ligação com o culto pagão, pode ser que isso tenha ocorrido mais para evitar o uso de nomes judaicos pelos caldeus do que para indicar qualquer mudança de sentimento ou prática daqueles que receberam esses nomes.

Daniel se propôs não se contaminar com a comida do rei nem com o seu vinho. Este procedimento de Daniel tinha outras razões além do efeito de tal regime sobre seu organismo, embora lhe fosse beneficiar muito a alimentação que ele se propunha  adotar. Costumeiramente os reis e príncipes das nações pagãs eram os sumos sacerdotes de sua religião, e com freqüência o alimento que iam usar era primeiramente oferecido em sacrifício aos ídolos, e derramada em libação perante estes uma parte do vinho que usavam. Além disso, certas carnes consumidas pelos caldeus tinham sido declaradas imundas pelas leis judaicas. Por qualquer destes motivos Daniel não poderia ser coerente com sua religião e servir-se desses artigos, daí Ter ele pedido, não por implicância ou má vontade, mas por escrúpulo de consciência, que não o obrigassem a contaminar-se. E respeitosamente dirigiu seu pedido ao funcionário certo.

O príncipe dos eunucos temia conceder o que Daniel pedia, pois o próprio rei havia indicado qual deveria ser a comida de Daniel e seus companheiros. Isso demonstra o grande interesse pessoal do rei por aqueles cativos. Ele não os confiou ás mãos de seus servos, ordenando-lhes cuidar deles da melhor maneira sem entrar em detalhes, mas ele mesmo determinou-lhes a comida e a bebida.E estas eram de uma espécie que honestamente se julgava a melhor para eles, tanto que o príncipe dos eunucos achava que um desvio desse regime os tornaria mais abatidos e de rosto menos corado do que os que o seguiam; assim ele seria responsabilizado por negligência ou mau tratamento deles, e perderia a cabeça. Contudo, ficava igualmente bem entendido que se eles se mantivessem em boas condições físicas o rei não se oporia ao meio utilizado, embora contrário a sua própria orientação expressa. Parece que o sincero objetivo do rei era assegurar-lhes, por todos os meios possíveis, o melhor desenvolvimento físico e mental  que se pudesse alcançar. Que diferença do fanatismo e tirania que geralmente dominam o coração dos que estão revestidos de poder absoluto! No caráter de Nabucodonosor achamos muitas coisas merecedoras de nossa mais alta consideração.

Daniel pediu legumes e água para si e os seus três companheiro. Legumes são espécimes das plantas leguminosas como ervilha, feijão, etc. A palavra hebraica zeroim, aqui traduzida por “legumes”segundo Bagster “denota todas as plantas leguminosas, que não são colhidas, mas puxadas ou arrancadas que, embora saudáveis, não se destinavam naturalmente a torná-los de rostos mais cheios que os outros.”

A palavra zeroim é formada pela mesma raiz da palavra “semente”empregada no relato da criação, onde se menciona “toda erva que dá semente”, e também o “fruto da árvore que dá semente.”Gênises1:29. Isso torna bastante claro que o pedido de Daniel incluía cereais, legumes e frutas. De igual modo, se entendemos corretamente Gênesis 9:3, a própria “erva  verde” teve de ser incluída na dieta requerida. Em outras palavras, o menu que Daniel pediu e recebeu era formado de cereais, legumes, frutas, nozes e verduras uma dieta vegetariana bem variada, junto com a bebida universal para o homem e os animais: a água pura.

A Bíblia de Cambridge contém esta nota  sobre zeroim: “alimento vegetal em geral; não há  razão para a palavra hebraica limitar-se a leguminosas como feijão e ervilha, que é o que  a palavra ‘legumes’significa”

Gesênio dá esta definição: “sementes, ervas, verduras, vegetais; ou seja, alimento vegetal como o que se consumia em meio jejum, em oposição a carne e iguarias mais delicadas.”

Tendo obtido resultado favorável à prova com essa alimentação, permitiu-se a Daniel e seus companheiros seguir esse regime em todo o curso de seu preparo para os deveres palacianos. Seu aumento de robustez e melhora de aparência durante esses dez dias, mal podem ser atribuídos ao resultado natural da dieta, pois esta dificilmente produziria tão notáveis efeitos em tão breve tempo. Não é muito mais natural concluir que este resultado foi produzido por especial intervenção do Senhor, como sinal de Sua aprovação da conduta  por eles adotada que, a ser seguida, com o tempo levaria ao mesmo resultado da operação das leis naturais em seu organismo?

Versos 17-21 - Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência  de todas as visões e sonhos. Vencido o tempo determinado pelo rei para que os trouxessem, o chefe dos eunucos os trouxe à presença de Nabucodonosor. Então o rei falou com eles; e entre todos não foram achados outros como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; por isso passaram a assistir diante do rei. Em toda matéria de sabedoria e de inteligência, sobre que o rei lhes, fez perguntas, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino. Daniel continuou até ao primeiro ano do rei Ciro.

Só a Daniel foi confiado o entendimento de visões e sonhos. Ele possuía algumas qualidades que o tornavam especialmente idôneo para essa obra especial. “Apegando-se Daniel a Deus com inamovível fé, o espírito de poder profético veio sobre ele. Enquanto recebia instruções do homem nos deveres diários da corte, estava sendo ensinado por Deus a ler os mistérios do futuro, e a registrar para as gerações vindouras, mediante figuras e símbolos, eventos que cobrem a história deste mundo até o fim do tempo.” E. G. White, Profetas e Reis, p.485. Mas o modo de o Senhor tratar Daniel neste particular não prova que seus companheiros tenham sido menos apreciados por Ele. Por sua preservação na fornalha ardente, obtiveram prova igualmente boa do favor divino. O rei continuou a manter  por aqueles jovens o mesmo interesse que até então manifestava. No fim dos três anos mandou chamá-los para uma entrevista pessoal com eles. Precisava saber por si mesmo como haviam passado e que progresso haviam realizado. Esta entrevista revela também que o rei era homem bem versado em todas as artes e ciências dos caldeus, pois do contrário não estaria qualificado para examinar a outros nesse aspecto. Apreciando  o mérito onde quer que o encontrasse, sem atentar para religião ou nacionalidade, reconheceu que eles eram dez vezes superiores a qualquer pessoa de seu próprio país.

Acrescenta-se que Daniel continuou até o primeiro ano  do rei Ciro. Estes é um exemplo do emprego um tanto especial da palavra até, que ocasionalmente ocorre nos escritos sagrados. Não significa que ele só continuou até o primeiro ano de Ciro, visto que viveu alguns anos  após o início do reinado deste rei; mas esse é o tempo para qual o escritor desejou dirigir atenção especial, pois trouxe libertação dos cativos judeus. Emprego semelhante da palavra encontra-se em Salmos 112:8 e Mateus 5:18.